Embora exista a idéia corrente de que é extremamente importante estarmos sempre fazendo alguma coisa, produzindo, inventando, inovando, investindo em nosso tempo e em nossa imagem, "fazendo a diferença ", como dizem alguns especialistas, é importante perceber que os grandes momentos de criação estão intimamente ligados aos períodos em que supostamente alguém não estava fazendo nada de especial.
Segundo alguns relatos, o excepcional Einstein, por exemplo, passava horas olhando trens se deslocando sobre os trilhos de uma estação ferroviária. A partir dessas suas ociosas observações nasceram novos e revolucionários conceitos e teorias sobre o tempo, o espaço e a matéria que mudaram totalmente os rumos da ciência. Mas com certeza não foram poucos os que o achavam um homem esquisito e sem nada de mais interessante e útil para fazer.
Do mesmo modo, podemos situar o incansável Newton e sua famosa maçã: a mais popular depois da de Eva, no paraíso bíblico, e talvez daquela da bruxa de Branca de Neve . Esse famoso episódio revela um gênio descansando placidamente debaixo de uma árvore, fazendo absolutamente nada! Mas tem também Mozart, um boêmio não menos genial, que não fazia "nada de especial" a não ser ocupar seu tempo livre compondo sinfonias que mudariam para sempre a história da música. E embora não faltem inúmeros exemplos que evidenciem a importância do ócio como fonte de inspiração e criação, muitos são os que ainda vêem nessa postura uma constante ameaça à ordem mundial.
Um ponto importante a se ressaltar é o da confusão gerada entre o estar produtivamente ocioso e o ser potencialmente preguiçoso . Embora ociosidade e preguiça possam se confundir no dicionário, são atitudes diferenciadas quanto à intenção e à motivação. O ócio deve ser aqui entendido como um estado de opcão do ser , ao contrário da preguiça, que é um estado de imposição do ser . O ócio é um estado sutil e suave que promove a criação e a expansão do entendimento, enquanto que a preguiça é um estado cerceador e limitador que gera incapacidade e negligência. E embora a ociosidade muito provavelmente faça parte de nosso DNA, basta observarmos com atenção nosso progresso como civilização para nos certificarmos de que o afinco e a dedicação ao trabalho também sempre foram constantes em nossas vidas. Em grande parte por isso, na minha concepção, uma das mais concisas e melhores "definições" do Yoga é a que o caracteriza como ação na não-ação . Externamente sem fazer nada e internamente agindo vigorosamente - esse é o retrato descritivo de uma pessoa em estado meditativo. Esse também é o retrato de um sábio que atingiu o estado de iluminação, ou samadhi .
E toda vez que penso em alguém que sempre dava a impressão de que não tinha nada para fazer, e que o fazia de forma tão maravilhosa e perfeitamente bem, me vem à mente a imagem de Ramana Maharshi , o grande sábio de Arunachala, Tiruvannamalai, no Sul da Índia. Ele nunca deixou sua cidade do coração, nunca teve mestres, nunca desejou discípulos, nunca escreveu uma linha, nunca falou mais do que o estritamente necessário e foi, é e sempre será um arquétipo monumental e inigualável da importância de se saber exatamente o que fazer quando aparentemente não se tem nada para fazer. Fonte: http://www.plurall.com/forum/cultura-trance/textos-poesias/27120-importancia-nao-fazer-nada/ Texto complementar Ócio criativo Você já teve a impressão de trabalhar tanto que as ideias parecem acabar ou as soluções para os problemas parecem cada vez mais distantes? Isso acontece porque as pessoas precisam descansar e se divertir para, posteriormente, trabalharem mais e serem mais criativas.
Segundo Aguiar, os dias de folga proporcionados pelos feriados servem para eliminar a fadiga; aumentar o rendimento no trabalho; aprimorar a produção nas empresas; permitir a prática de atividades recreativas, culturais, físicas, bem como o convívio familiar e social. Aguiar lembra da obra de Domenico de Masi, "O futuro do trabalho", segundo o qual a atividade não se restringe ao trabalho assalariado. Na verdade, é muito maior: é brincar, divertir-se, ajudar outras pessoas, namorar, praticar esportes, ver televisão, ir ao cinema, comer pipoca, sonhar ou apenas dormir. "É ser criativo (ou não)", explica. "Tampouco o sobrenome de uma pessoa obrigatoriamente tem de estar atrelado ao nome de uma empresa. Uma pessoa é única e exclusiva. E também é autônoma e independente... Sua cidadania não se materializa por seu grau de empregabilidade. Ser gente é o que o faz um cidadão... O tempo ocioso é tão ou mais importante do que aquele despendido em afazeres rotineiros. Sendo assim, é importante poder se planejar e saber antecipadamente quando se poderá usufruir de descansos regulares".